terça-feira, 1 de março de 2011

LEITURA ORANTE: O que o texto diz?



           Na coleção Tua Palavra é Vida a “Lectio Divina” é entendida como a leitura crente e orante da palavra de Deus, feita a partir da fé em Jesus Cristo...”(p.16) é uma proposta apresentada, inclusive, no Documento de Aparecida aos cristãos para favorecer uma experiência profunda do Cristo Verbo através da Palavra de Deus. Por isso que “entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma à qual todos nós somos convidados: a Lectio Divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura [...] Com seus quatro momentos (leitura, meditação, oração, contemplação) a leitura orante favorece o encontro pessoal com Jesus Cristo...” (DA, p. 216 n. 249).
          Não se pode confundir a leitura orante com a leitura corrente. Pois esta última não permite perceber os detalhes dos textos sagrados como também não nos levam a fazer meditação e reflexão, elementos dos quais não podem faltar na leitura orante, para que a oração ressoe nos lábios e na vida de cada um de nós. Os quatro momentos são imprescindíveis na leitura orante e por isso devem ser observados.
          Ora, neste texto comentaremos sobre o primeiro ponto: Leitura - o que o texto diz em si? Antes de tudo é importante que tenhamos cuidado com este elemento para que não interpretemos a palavra de Deus da maneira como pensamos e corramos o risco de fazermos uma leitura fundamentalista, isto é, entendê-la tal e qual como está escrita. Abro este precedente especialmente para aqueles que fazem interpretações errôneas da Sagrada Escritura e que, por conseguinte, não estão em conformidade com o Magistério da Igreja, por isso é importante procurar o bispo, padre ou qualquer pessoa da comunidade que tenha conhecimento suficiente para esclarecer sobre os textos sagrados.
          Segundo Catecismo da Igreja Católica: “O ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus, escrita ou transmitida, foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em Jesus Cristo, isto é, foi confiado aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma” (n.85). Por isso, embora tenhamos acesso à leitura da Palavra de Deus, não podemos interpretá-la de qualquer modo, pois a palavra nos foi transmitida pela tradição apostólica e pelos bispos para que tenhamos uma compreensão reta da mesma.
          O que o texto diz em si é a compreensão universal dos textos sagrados. Mesmo que as realidades sejam diferentes entre continentes, nações, regiões etc., a palavra de Deus recebe a mesma interpretação, pois na verdade, não é a palavra que deve se converter à realidade, pelo contrário, somos nós na nossa realidade que devemos nos converter à palavra, isto é, a Cristo que diz: vem e segue-me!
          A palavra escrita é a fonte para a transmissão da fé, pois não falamos daquilo que pensamos, mas, anunciamos a salvação por meio da morte e ressurreição de Cristo Jesus como consta na Escritura Sagrada e na Tradição da Igreja. Entender o que o texto diz nos remete a adentrarmos verdadeiramente na nossa fé para que também nós sejamos anunciadores, discípulos e missionários da Palavra.
          “O objetivo da leitura é este: furar a parede da distância entre o ontem do texto e o hoje da nossa vida, a fim de iniciar um diálogo com Deus na Meditação” (Tua Palavra é Vida, p.22). Que assim possamos fortalecer a nossa fé através do primeiro passo da leitura orante que é conhecer a Cristo e professá-lo com toda a convicção.



CRB. Coleção Tua Palavra é Vida: A Leitura Orante da Bíblia. São Paulo: Loyola, 1990.
CELAM. Documento de Aparecida. São Paulo: Paulus, 2007
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, São Paulo: Loyola, 2000








Seminarista Joel Teixeira Araújo
Diocese de Brejo – MA
2° Ano de Teologia
São Luís – MA, 01 de Março de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ESCUTAI A VOZ DE DEUS

         


          A cada dia estamos sendo seduzidos pela diversidade de vozes que clamam para serem ouvidas e observadas e que por falta de convicção de nossa fé acabamos nos deixando conduzir pelas mesmas. Porém, que vozes são essas e o que nos ensinam? Podemos elencar algumas: vozes de abandono, de egoísmo, de violência, de morte, de desonestidade etc. Facilmente somos comprimidos e reprimidos por elas. Mas o que devemos fazer? Tornarmo-nos surdos a elas para ouvir a voz de Deus, isto é, buscar as coisas do alto, “viver no amor e permanecer no amor, pois Deus é amor” (cf. 1 Jo 4, 16).

          É claro que para fazer a experiência do amor é necessário fazer um encontro com aquele que primeiro amou verdadeiramente, quando deu a sua vida em favor da humanidade: CRISTO JESUS. Este encontro é proporcionado diretamente pela palavra de Deus elucidada na voz de Cristo. Contudo, gostaria de precavê-los a não fazerem uma leitura superficial da palavra de Deus, como se fosse simplesmente um livro de história onde nos enchemos de conhecimento da narrativa cronológica do itinerário do ser humano, mas adentrarem na vontade do Cristo Verbo.

          A palavra de Deus é viva e eficaz e assim “como a chuva e a neve desce do céu e para lá não voltam, sem terem regado a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, dando semente ao semeador e pão ao que come, tal ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não volta a mim sem efeito...” (Is 55, 10-11). Por isso, quem ouve a voz de Deus e a acolhe para a vida se tornará uma árvore frutífera em dons e em graça.

         Cristo, no evangelho de João, assume a identidade do Bom Pastor para dizer que conhece suas ovelhas e que as mesmas o seguem porque ouvem a sua voz (cf. Jo 10ss). Desta maneira, poderíamos perguntar: estamos ouvindo a voz de Cristo, Bom Pastor, ou ainda estamos sendo atraídos pelas vozes dos mercenários do mundo? A quem nós escutamos: Deus ou os homens? Queremos ouvir as vozes do medo, da tortura, do ódio, da vingança ou queremos a voz da verdade, da benignidade, do amor?

          Se quisermos ouvir a Deus, façamos a experiência da Leitura Orante, para que a Sua palavra ressoe em nossas vidas com maior intensidade. Para tanto, precisamos aplicar os seguintes passos:

• Leitura: o que diz o texto em si?

• Meditação: o que o texto diz para mim?

• Oração: o que o texto me faz dizer a Deus?

• Contemplação: olhar a vida com os olhos de Deus?

          Irei dedicar os próximos textos para aprofundar cada passo da Leitura Orante. Sei que a oração em si não é tudo, mas tudo sem ela não é nada.


Seminarista Joel Teixeira Araújo
Diocese de Brejo-MA
2º Ano de Teologia
São Luís-MA, 21 de fevereiro de 2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Discurso do Padre Ribamar por ocasião de sua despedida



A identidade sacerdotal como toda e qualquer identidade cristã encontra na Santíssima Trindade a sua própria fonte que se revela e autocomunica aos homens em Cristo constituindo n’Ele, e por meio do Espírito, a Igreja como germe e início do Reino. É no interior do ministério da Igreja como comunhão trinitária que se revela a identidade cristã de cada um e, portanto, a específica identidade do sacerdote e do seu ministério.
            O sacerdote, de fato, em virtude de sua consagração que recebe pelo sacramento da Ordem é enviado pelo Pai através de Jesus Cristo, cabeça e pastor do seu povo, e é configurado de modo especial para viver e atuar na força do Espírito Santo e para a salvação do mundo. O ministério ordenado surge com a Igreja e tem nos bispos, e em referência e comunhão com eles, uma relação particular com o ministério dos apóstolos.
            Chegou a hora de deixar São Bernardo, e parto desarmado da mesma forma quando aqui cheguei, apenas com a vontade de viver com toda a intensidade a vocação. Levo também a saudade e a experiência de um trabalho pastoral rico. Não porque melhoramos a vida das pessoas, mas porque superamos obstáculos que impediam a convivência e juntos almejamos as coisas do alto, e a cada dificuldade procurávamos a melhor forma sem negligenciar o que fundamenta a vida cristã.
            Meu louvor hoje, se estende de modo muito especial a Deus Pai pela sua infinita bondade de ter me chamado para fazer parte do sacerdócio de seu Filho Jesus Cristo para servir com a força do Espírito Santo a sua Igreja que se encontra em Brejo, nesses oito anos na Paróquia Santuário São Bernardo.
            Sou grato ao Monsenhor Maurício pelos valores que nortearam a nossa amizade, nossa convivência e a pastoral de conjunto durante esses anos. Através dele abraço a todos os paroquianos. Que o Senhor recompense com sua graça a todos os que contribuíram direta ou indiretamente com meu ministério sacerdotal.
            O Senhor Bispo envia-me para o Seminário Diocesano Divino Salvador em São Luís-MA. O seminário é uma das jóias preciosas da Igreja, pois dele surgem futuros pastores para realizar em suas vidas a determinação do Senhor Jesus: “Ide e ensinai a todas as nações”. Prometo cuidar para que o seminário seja uma sementeira de qualidade porque o semeador é de alto nível: Jesus Cristo.
            Minha palavra ao que será enviado para São Bernardo: o seguimento de Jesus comporta determinadas rupturas tantas vezes radicais. Sem elas é praticamente impossível viver como discípulo do Mestre. Ora, deixar a barca para Pedro e seus companheiros, significava deixar tudo, inclusive o estabelecido, o rotineiro, mas também o mais agradável e o mais seguro. Seja bem vindo e faço votos de êxito em sua nova missão.
            Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que ele fez em meu favor? Elevo o cálice da minha salvação invocando o nome santo do Senhor” (Sl 115). Na radicalidade de sentir-se a menor das criaturas abre-se espaço para que o outro seja também importante. Pois com a ajuda do Espírito Santo de Deus temos condições de viver a dimensão do amor oblativo, pois é Ele que distribui os carismas e dons de forma extraordinária. Não podemos esquecer que o Espírito age na vida da Igreja e das pessoas. É uma necessidade que temos como pessoa que responde ao chamado, querer sempre cumprir o mandato do Senhor: “avancem para as águas mais profundas”.

Muito obrigado a todos,
Padre Ribamar Xavier